Como foi o CONSU de 11 de fevereiro de 2026

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Luiza Erundina: Doutora Honoris Causa por uma Unifesp + Popular

Um Reconhecimento à Trajetória de Luta e à Defesa da Universidade Pública

A reunião do Conselho Universitário (CONSU) de 11 de fevereiro de 2026 ficará marcada na história da nossa instituição. Com uma aprovação expressiva, a Unifesp aprovou o título de Doutora Honoris Causa a Luiza Erundina de Souza. Para a Bancada Unifesp Mais Democrática e Popular, esta honraria é mais do que um protocolo acadêmico; é o reconhecimento de uma vida inteira dedicada à justiça social e à construção de uma Universidade Mais Popular e Mais Inclusiva.

Uma Vida Forjada na Luta Social

A trajetória de Luiza Erundina é indissociável dos movimentos sociais brasileiros. Assistente social de formação e paraibana de nascimento, ela trouxe para São Paulo a força da resistência nordestina, inserindo-se profundamente nas lutas por moradia, nos movimentos de mulheres e na organização dos trabalhadores. Sua atuação sempre foi pautada pela proximidade com as bases, transformando demandas populares em pautas políticas concretas e dando voz àqueles que o sistema historicamente tentou silenciar.

Deputada Luiza Erundina cercada e arrastada por policiais militares na reintegração de posse de terreno no Jardim Aurora em 1/10/1987. Foto de César Diniz / Estadão.

Inovação e Coragem na Gestão Pública

Como a primeira mulher a governar a cidade de São Paulo (1989-1992), Erundina revolucionou as políticas públicas com um olhar voltado para a periferia. Sua gestão foi pioneira ao propor a estatização do transporte público e a implementação da tarifa zero, além de promover mutirões autogeridos para habitação popular que se tornaram referência internacional. Na educação, contou com Paulo Freire como seu secretário, consolidando uma visão de ensino libertadora e democrática que priorizava a qualidade social da escola pública.

Militância Incansável pela Educação

Mesmo com uma trajetória de décadas, Erundina mantém, agora como deputada federal, uma militância vibrante e necessária. Sua atuação no Congresso Nacional é um bastião em defesa das universidades públicas federais, lutando contra cortes orçamentários e garantindo que a educação permaneça como um direito inalienável. Sua presença constante nas frentes parlamentares e sua voz firme em defesa da autonomia universitária provam que o compromisso com a democracia não tem idade; é uma convicção que se renova a cada batalha.

O Exemplo que Ecoa no CONSU

Durante a votação, o Conselheiro Bob Botelho emocionou a todos ao relatar o impacto de Erundina na vida de sua própria família, destacando como o exemplo de uma mulher nordestina e assistente social fez gerações acreditarem no poder transformador do ensino superior.

A Bancada Unifesp Mais Democrática e Popular celebra esta decisão! Ter Luiza Erundina como Doutora Honoris Causa da Unifesp é reafirmar que nossa universidade tem lado: o lado da democracia, da diversidade e do povo brasileiro.

Ainda sobre este CONSU, a reunião foi palco de denúncias graves que ferem diretamente dois dos pilares estratégicos da Bancada: a construção de uma universidade Livre de Assédio e o respeito à Democracia interna. Enquanto a gestão apresenta números e relatórios, as vozes que vêm do “chão” da universidade — do Hospital Universitário (HU) e dos campi — relatam um cenário de desrespeito aos TAEs e precarização que não podemos ignorar.

E as Contratações?

Os conselheiros representante dos Técnicos-Administrativos (TAEs), trouxeram um depoimento contundente sobre o pós-greve. Após mais de 40 dias de paralisação local, o que se vê é um descumprimento preocupante dos termos acordados. Destacou-se a rapidez da gestão para cobrar o pagamento de horas, em contraste com a lentidão (ou silêncio) para cumprir as cláusulas de contratação e transparência.

Para a nossa Bancada, essa postura é inaceitável. O acordo de greve é um documento legítimo e sua fiscalização é um direito dos trabalhadores. A demora no envio de dados sobre demissões e contratações oculta a realidade da força de trabalho na Unifesp e fragiliza a nossa Excelência Acadêmica.

O Conselheiro Rafael Beserra se solidarizou, em nome da Bancada, pelos casos ocorridos que configuram assédio e trouxe o questionamento do “Banho de Indústria” que as empresas privadas querem fazer nas universidades, citando a expressão do filme brasileiro O Agente Secreto. “Precisamos falar sobre Assédios, presidenta”, o conselheiro ainda recordou sobre o Código de Conduta aprovado em novembro/25 onde cita os conflitos de interesses, os interesses privados e que “neste Conselho os trabalhadores duplo vínculo devem se autodeclarar – mediante da pauta conflitante – para não decidirem em prol da empresa privada, no órgão de decisão da Universidade Pública”

© Rovena Rosa/Agência Brasil

“A Mamata vai Acabar”: O Terror Psicológico no HU

Os conselheiros trouxeram outro informe: “O terror psicológico” que tem se instalado no Hospital Universitário. Relatos indicam que o fantasma da terceirização está sendo usado como arma de assédio contra servidores de carreira, com frases agressivas como “a mamata vai acabar, logo entrará uma terceirizada e vocês sairão daqui”.

Esse tipo de conduta, muitas vezes vinda de pessoas em formação ou em cargos de chefia, é o oposto do que defendemos para uma Universidade Pública e socialmente referenciada. Não aceitaremos que o Hospital Universitário seja transformado em um laboratório de perseguições sob o pretexto de “acordos de cooperação”.

Nossa Posição: Mobilização e Vigilância

A Bancada Unifesp Mais Democrática e Popular reforça que o assédio e o descumprimento de acordos são formas de violência institucional. Apoiaremos as assembleias e a mobilização nacional da categoria, pois entendemos que a luta por melhores condições de trabalho é indissociável da luta por uma universidade de qualidade.

O que queremos:

  1. Cumprimento Imediato do Acordo de Greve: Transparência total nos dados de contratação e demissão.
  2. Apuração de Assédio: Investigação rigorosa das denúncias de perseguição no HU e em Osasco.
  3. Mesa de Negociação Ativa: Retomada imediata das reuniões bimestrais com a Reitoria para fiscalização das pautas dos trabalhadores.

Não daremos um passo atrás na defesa de quem faz a Unifesp acontecer todos os dias.

Recomposição Necessária, mas Insuficiente

A primeira reunião ordinária do Conselho Universitário (CONSU) de 2026, realizada em 11 de fevereiro, trouxe ao centro do debate o “coração” da nossa instituição: o orçamento. Em um relato detalhado da Pró-Reitoria de Administração (PROADM), fomos apresentados aos números da Lei Orçamentária Anual (LOA) e aos desafios que a Unifesp enfrentará para garantir seu funcionamento e, principalmente, a assistência estudantil.

Embora a gestão tenha classificado como “positiva” a recomposição de alguns valores após as perdas sofridas no ano anterior, o cenário ainda exige vigilância extrema da comunidade acadêmica. Foi destacado que qualquer atraso ou perda orçamentária impacta diretamente o cotidiano dos nossos campi. Como bem pontuado pela Proadm, “o recurso já está todo planejado e dividido, e qualquer perda impacta diretamente no funcionamento”.

Para nós, da Bancada Unifesp Mais Democrática, a Transparência não é apenas um dado técnico, mas uma ferramenta de luta. É fundamental que a comunidade saiba que ainda aguardamos a recomposição integral de valores cruciais, como os da ação de permanência estudantil (PNAES), que soma quase R$ 1 milhão ainda em debate junto ao MEC.

O “Nó” da Programação Financeira

Um ponto de alerta levantado foi a dependência do decreto de programação orçamentária e financeira, previsto para sair apenas após o carnaval. É nesse decreto que, historicamente, surgem os fantasmas dos contingenciamentos e bloqueios. No ano passado, vimos a liberação de recursos ser estrangulada de um doze avos para um dezoito avos, o que gera uma instabilidade administrativa asfixiante.

Nossa Postura: Vigilância e Defesa da Universidade Popular

A Bancada U+D reafirma que não aceitaremos que a conta da crise ou da burocracia estatal seja paga pelos estudantes mais vulneráveis ou pela precarização do trabalho dos TAEs e docentes. Uma Universidade Mais Popular exige orçamento garantido e previsível.

Continuaremos cobrando:

  • Transparência Total: Detalhamento mensal da execução orçamentária em linguagem acessível para toda a comunidade.
  • Prioridade na Permanência: Garantia de que os recursos do PNAES sejam a última fronteira intocável de qualquer ajuste.
  • Autonomia Financeira: Fortalecimento da mobilização junto à ANDIFES e ao Governo Federal para que a universidade não viva de “picadinhos”.

O orçamento é público e deve servir ao interesse público. Fiquem atentos aos próximos informes!